CURSO DE LIBRAS DO BURITIS CHEGA À MARCA DE 145 ALUNOS

Quando o trabalho é feito com dedicação e capacidade a chance de ele alcançar o sucesso é muito grande. O curso de LIBRAS gratuito no Buritis é um bom exemplo. Criado por um grupo de voluntários, moradores do bairro, ninguém sabia o que iria encontrar pela frente, como seria a participação das pessoas. Agora, passados cerca de dois meses, a incerteza do início com uma turma de 25 alunos foi completamente transformada. Em menos de sessenta dias, o curso passou a oferecer cinco turmas e um total de 145 inscritos.

            A primeira turma, que serviu de parâmetro para os coordenadores, irá se formar neste mês de abril. Nela encontramos alunos que entraram no curso com os mais diversos interesses. A fonoaudióloga Suely Cátia, por exemplo, tem muitos pacientes surdos e, por não entender a língua dos sinais, tinha muita dificuldade em desenvolver o seu trabalho junto a eles. Com poucas aulas já sentiu uma grande diferença em lidar com a situação.

            “Eu não precisar de alguém ao lado para me comunicar com meu paciente faz uma diferença enorme no resultado. Eu me sentia limitada e, claro, essa limitação interferia no meu trabalho”. De acordo com Suely, depois que entrou no curso até arrumou um novo amigo por entender a língua dos sinais. “Tem um menino surdo que vende balas no sinal aqui da Raja Gabaglia. Um dia eu me comuniquei com ele. A felicidade dele é tamanha que, agora, ao me ver no sinal vem correndo até mim só para conversar um pouco”.

            A engenheira e cantora Natália Figueiredo fez a sua inscrição assim que ficou sabendo do curso de LIBRAS. Ela conta que sempre teve vontade de aprender a língua dos sinais e agora viu uma grande oportunidade. “É para um crescimento pessoal mesmo. Não conheço ninguém surdo, ou melhor, agora conheço, o meu professor, que é fantástico por sinal. Era justamente isso que eu buscava. Ter a oportunidade de conhecer pessoas sem estar limitada”.  

            Já a psicóloga Bruna Guaceroni encontrou no curso muito mais do que procurava. Inicialmente com o objetivo de contribuir para o crescimento de seu currículo profissional. Hoje, ela enxerga a LIBRAS como uma necessidade social e humana de todas as pessoas. Bruna tem dois primos surdos. Um deles faz leitura labial e o outro não. Com o segundo não conseguia se comunicar e nunca se preocupou. Talvez no seu inconsciente pensasse que a obrigação de se fazer comunicar era dele. Hoje, conversa com o primo e tira de tudo isto uma grande lição. “Ver a felicidade dele ao conseguir se comunicar comigo chega a me incomodar. Percebo como eu era distante ao problema. Agora me sinto uma pessoa muito melhor e espero que todos possam dedicar um pouco do seu tempo a aprender a LIBRAS”.

Solidariedade

            A abertura de mais quatro novas turmas também foi importante por uma outra razão. O curso é gratuito, contudo, a coordenação faz um pedido especial para os alunos: que doem um pacote de fralda geriátrica a ser repassado para pessoas carentes da cidade, uma iniciativa da ASPRAMI – Projeto Melhor Idade, responsável em conseguir o espaço para as aulas no Uni-BH.

            Presidente da ASPRAMI, Miriam Reis não esconde a felicidade em ver o sucesso do curso de LIBRAS. “Eu estou emocionada com tudo o que está acontecendo. Para se ter uma ideia, o Restaurante Piu Braziliano está doando o almoço para os professores que vêm de outros bairros para darem as aulas aqui, mais uma prova da seriedade do nosso trabalho. Resumindo, todos estão ganhando. Alunos, quem recebe as doações e nós. É muito gratificante”.

            Além dos 145 alunos inscritos, o curso de LIBRAS já conta com mais de cem pessoas em uma lista de espera para futuras turmas. Quem tiver interesse em auxiliar o trabalho social da ASPRAMI pode entrar em contato com Miriam através do telefone 99878-3245. 

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