CURSO OFERECE AULAS DE LIBRAS GRATUITAMENTE

           Uma grande expectativa foi criada em torno da posse do presidente Jair Bolsonaro em 1º de janeiro. No entanto, talvez a cena que tenha chamado mais atenção no Palácio do Planalto tenha sido o discurso feito em Libras pela primeira-dama Michele Bolsonaro. Através da Língua Brasileira de Sinais, ela garantiu que irá lutar pela valorização e o respeito aos direitos da comunidade surda do país.

            A iniciativa da primeira-dama, e o próprio aquecimento do mercado de trabalho, têm despertado o interesse de muitas pessoas pelo conhecimento da Libras. No Buritis, um grupo voluntário foi criado para ensinar a língua de sinais a moradores que demonstrassem interesse e, rapidamente, a turma foi preenchida. O sucesso imediato foi recebido com felicidade e surpresa pela coordenadora do grupo, Kátia Galuppo. “A sala seria para 20 alunos, devido ao interesse, aumentamos para 25. Não pode ser mais do que isso por se tratar de um trabalho difícil em que o professor precisa ficar de olho o tempo inteiro para ver se o aluno está fazendo o movimento corretamente”.

            Kátia é educadora e sua ligação com a Libras surgiu por acompanhar uma jovem com deficiência auditiva, que hoje a trata como uma filha. Por ver toda a dificuldade a qual a garota passava no dia a dia, viu a necessidade de mais pessoas saberem a língua de sinais. “Para mim, uma pessoa surda fica mais solitária que uma que não enxerga, por exemplo. Quem não vê consegue falar o que precisa, quem não se comunica fica a mercê e, muitas vezes envergonhada, e prefere se afastar do social”.

            De acordo com a coordenadora, ainda não sabe qual o objetivo das pessoas que se inscreveram no curso. Podem ser por terem parentes surdos e quererem saber se comunicar; para fortificar o currículo, já que quem conhece Libras pode alcançar mais espaço no mercado de trabalho; ou mesmo pelo simples fato de querer um novo aprendizado na sua vida. “Apesar das aulas terem iniciado este ano, a ideia do grupo surgiu antes deste boom todo com a primeira-dama. Uma prova de que as pessoas já estavam se atentando para esta situação”.

Sonho

            Em novembro do ano passado, a Comissão de Educação aprovou uma proposta que torna a oferta do ensino de conhecimentos básicos de Libras obrigatória nas escolas públicas brasileiras, sendo a matrícula facultativa para os alunos. O projeto ainda segue em análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e do Plenário da Câmara.

            O grande sonho de Kátia Galuppo é que este projeto seja aprovado e que as escolas ensinem pelo menos o básico da Libras, como acontece com o inglês. “Eu uma vez vi um americano no supermercado, que estava um pouco perdido. Logo apareceram algumas pessoas para ajudar e, mesmo não tendo um inglês fluente, conseguiram orientá-lo. Com um surdo isso não acontece, porque as pessoas não têm qualquer conhecimento da língua de sinais”, diz.

            Ainda segundo a educadora, outro grande desejo é que as empresas se preocupem em capacitar seus profissionais com a Libras e, assim, consigam atender bem seus clientes com deficiência auditiva. “Se um funcionário saber a linguagem já é o suficiente. Quando chegar um cliente surdo ele é chamado e tira todas as suas dúvidas”.

Apoio de voluntários e da ASPRAMI

            A realização deste curso de Libras no Buritis somente foi possível graças a importantes parceiros, todos moradores do bairro. As aulas serão ministradas gratuitamente pelos professores Leandro Gontijo e Camila Pires. A cirurgiã dentista Cristina Araújo, que é ouvinte mas tem conhecimento da língua de sinais, e a estudante de psicologia Júlia Araújo, irão auxiliar nas aulas.

            O curso irá acontecer aos sábados em uma das salas oferecidas pelo UniBH através da interseção da ASPRAMI – Projeto Melhor Idade, que já há alguns anos oferece vários atendimentos à comunidade do bairro e agora também está engajado pela causa dos deficientes auditivos. 

            Para saber mais detalhes do curso de Libras, que tem duração de 30 horas, sendo três horas/aula, entrar em contato com Miriam Reis, presidente da ASPRAMI, através do telefone 99878-3245.

            A Libras foi reconhecida como a segunda língua oficial do Brasil pela lei Nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Ela reconhece como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais e outros recursos de expressão a ela associados.

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